agosto 05, 2012

Gostava de poder escrever tudo aqui. Escrever tudo o que sinto, penso, respiro, repulso, quero, tenho, sonho.
Tudo.
Mas existe sempre um mas. 
Não posso. Não consigo. Não dá. 
Estou à espera que finalmente as coisas comecem a dar certo para mim. Porque em 18 anos a boa sorte raramente passou pelos meus lados. E quando passou, nunca ficou o tempo suficiente para me fazer construir algo, ser algo.
E estou aqui, perdida. Sem saber o que fazer nem em que direcção ir.
Sinto-me de tal modo pressionada que a única coisa que de facto quero fazer é chorar. Sinto o peso de um mundo que não é meu em cima dos meus ombros. Sinto que estou a ser sufocada pelas minhas próprias palavras, a ser engolida pelas minhas próprias ambições. 
A minha vida está a maior treta possível. Odeio tudo, mas principalmente a mim. 
Não tenho absolutamente valor algum. Existo para ver os outros felizes e para ajuda-los a consegui-lo. 
E quando o faço, naquele exacto momento, sinto-me útil. 
Mas depois tudo acaba, como uma manha de nevoeiro. Rapidamente as minhas inseguranças aparecem, os meus medos e incertezas surgem e ficam comigo, fazem-me companhia desde o momento em que acordo até ao momento em que forçadamente consigo adormecer.
Estou farta. De tudo, de todos. Estou sinceramente cansada. 
Emocionalmente estou um caco. Não me consigo olhar ao espelho sem lágrimas aparecem no canto dos meus olhos. Mentalmente digo a mim mesma para desviar o olhar, para apagar o meu reflexo da memória, para não chorar, não ali, não naquele momento.
E não quero sair à rua, não quero ser vista. Não quero sentir olhares inquisidores em mim, não quero chorar no meio de uma multidão.
Não quero sujeitar-me à constante humilhação de ser eu.




agosto 04, 2012

Michael P.

Dedico os minutos seguintes a um dos meus ídolos e fonte de inspiração: Michael Phelps.
Escrevo-vos porque acabei de o ver nadar e ganhar uma medalha Olímpica pela última vez. É absurdamente atroz o sentimento que sinto neste momento.
Pensar que esta foi a última vez que ele nadou é estranho. Desconfortável até. Ele, o melhor nadador de todos os tempos, o atleta mais medalhado da história, o que quebrou recordes e deu uma tremenda alegria a milhões de pessoas, vai terminar a sua carreira.
Vi-o fazer história por inúmeras vezes. Lembro-me de todos esses momentos com um exactidão insana. Talvez porque esses momentos foram também eles completamente surreais.
Estou triste. Mas a decisão dele é completamente lógica. Já ganhou tudo. Já fez história. E admitamos, existe melhor forma de acabar uma carreira do que no topo do mundo?
Fica aqui o meu agradecimento.
Tudo começou quando eu tinha 14 anos.
Neste exacto momento, em que já completei 18, faço questão de prestar a minha pequena vénia emocional.
Um até sempre. Obrigado por me deixares a mim também fazer parte da história.