junho 26, 2012

Não sou suficientemente boa. Nunca serei.
Sou demasiado humana, cometo demasiados erros. Preocupo-me demais, dou valor a coisas que a maioria esquece.
Sei que não sentes orgulho em mim, sei que sou uma perda de tempo e de espaço.
Sei também que me amas por obrigação.
Lamento, mas eu não vou mudar. Eu sei que diariamente rezas por um milagre.
Desculpa, mas ele não vai acontecer.
Não sou o que idealizas-te, não sou tudo o que sempre quiseste. Mas...haverá a mínima hipóteses de me aceitares? Posso não ser a melhor aluna da turma, posso não gostar da escola e ser muito preguiçosa, mas gosto de ler. E de escrever.
Posso não perceber nada de matemática, mas dou bons conselhos.
Sei que achas o contrário, mas eu realmente sei que a vida não é fácil. Eu sou a prova viva disso.
Eu estou completamente partida, e acho que estou a começar a deixar de me importar.
Vejamos, eu gosto de estar no meu canto. Gosto de guiar a minha vida segundo o que eu quero. Embora tenha a sensação de que já me perdi à muito.
Dizes que não faço nada de útil. Mas quantas vezes já me fiz de forte para não te preocupar, quantas vezes tive de abdicar de sonhos meus por caprichos teus, quantas vezes abafei o som do meu choro para não te acordar?
Mas sim, socialmente falando, eu sou um estorvo. Socialmente falando, eu sou um ser completamente posto à parte.
Mas gostava que olhasses para mim e sentisses a obrigação de me ver feliz. E que não tentasses impor regras a essa mesma felicidade. 

junho 24, 2012

SE ISTO É UM HOMEM

Vós que viveis tranquilos
Nas vossas casas aquecidas,
Vós que encontrais regressando à noite
Comida quente e rostos amigos:
Considerai se isto é um homem
Quem trabalha na lama
Quem não conhece a paz
Quem luta por meio pão
Quem morre por um sim ou por um não.
Considerai se isto é uma mulher,
Sem cabelo e sem nome
Sem mais força para recordar
Vazios os olhos e frio o regaço
Como uma rã no Inverno.
Meditai que isto aconteceu:
Recomendo-vos estas palavras.
Esculpi-as no vosso coração
Estando em casa, andando pela rua,
Ao deitar-vos e ao levantar-vos;
Repeti-as aos vossos filhos.
Ou que desmorone a vossa casa,
Que a doença vos entrave,
Que os vossos filhos vos virem a cara.

Se isto é um Homem


Por momentos, por longos ou pequenos que sejam, pensem no seguinte: o que é um Homem?
O que é um Homem quando se lhe é retirado tudo, até a sua essência?
O que é um Homem quando a esperança passou apenas a ser uma palavra e o medo o sentimento predominante?
O que é um Homem quando deixa de saber o que é a felicidade e esquece-se de que o coração tem uso?
Comecei a ler este livro, 'Se isto é um Homem', do escritor e outrora prisioneiro de um campo de concentração Nazi, Primo Levi. O livro não pretende fazer acusações ou ser demasiado melancólico. Pretende exclusivamente ser real e objectivo. Lembrar ao mundo que o mal existe. Aliás, ele está dentro de nós, sempre o estará. 
O problema é quando esse mal, entranhado e escondido nos nossos corações, ganha voz.
Fica aqui um pequeno excerto.  

'Estamos transformados nos fantasmas que havíamos deslumbrado na noite passada. Então pela primeira vez nos demos conta de que nossa língua não tem palavras para expressar esta ofensa, a destruição de um homem. Em um instante, com intuição quase profética, a realidade nos é revelada: chegamos ao fundo. Mais fundo que isso não se pode chegar: uma condição humana mais miserável não existe tampouco se pode imaginar. Não temos nada nosso: tiraram-nos as roupas, os sapatos e até os cabelos; se falarmos, não nos escutarão, e caso nos escutassem, não nos entenderiam. Até mesmo o nome nos tiraram: e se quisermos conservá-lo deveremos encontrar dentro uma força arquitetada de tal maneira que, atrás do nome, algo nosso, algo do que um dia fomos, enfim permaneça.
Pois imaginem agora um homem a quem, além de suas pessoas amadas, roubem-lhe também a casa, os costumes, as roupas, tudo, literalmente tudo o que possui: será um homem vazio, reduzido ao sofrimento e à necessidade, vazio de dignidade e de juízo, porque àqueles que perderam tudo ocorre que se perdem a si mesmos [...]'

junho 20, 2012

The Way Stars Hold The Moon

Eu comecei recentemente a ler um fanfic que promete ser umas das melhores que irei ler para toda a minha vida. Enquanto não sai outro capítulo, revi novamente o que li e pela primeira vez, li o prólogo. É uma daquelas coisas que faz a minha vida estagnar. E confesso que estou a chorar, porque o meu coração subitamente encheu-se de uma tristeza estranha, porém verdadeira. Aqui fica.


Harry's POV

Life is short. Isn't that a funny thing to say? Technically, life is the longest thing you'll ever experience. Think about it. What's longer than life? Nothing. But life can be short. What if you had less than a year to live? Less than a year to accomplish your goals. Less than a year to make up all the time that was wasted. What if? 



People come into you life by accident all the time, but its your choice whether they stay on purpose. Riley didn't have that choice. Unfortunately, those are some of the side effects of having cancer.



Riley was the strongest person I knew. She wasn't afraid to die. She knew it was coming and she embraced it. She spent each day like it was her last, because well... It might have been. Its weird when you spend so much time with a person, they soon become a part of you - but when they're gone, THAT piece of you is missing. There's this gaping hole in your chest, right where they used to be and you feel like nobody else can understand your pain. Its weird how someone can become that important, that without them, you feel like nothing.



I was lying on my bed, staring into nothingness when a light knock on my door interrupted my thoughts. I turned my head towards the door to see Louis standing there. Sadness and sorrow evident in his eyes as he stared back at me.



"This just came in for you" he said quietly, holding up a white envelope. I got up and walked towards Lou, taking the envelope from his hands. He gave me a light pat on the back before he left, closing the door behind him, leaving me on my own once again.



I walked back to my bed, sitting on the edge of it. I looked down at the envelope to see my name written on it in a familiar handwriting. HER handwriting. I timidly opened the envelope to reveal its confinements. A letter which read:



Dear Harry,



If you're reading this then that means I've already passed away. Bummer. And to think not even a year ago I didn't have the slightest clue I'd be dead by now. Anyways, Harry you were so good to me. I don't know how I'll ever thank you enough. You were always there for me, making me smile without trying, brightening my worst days, and bringing out the best in me. You believed in me when no one else did. You were the reason I was strong enough to make it this far. Thank you for making me feel good about myself. I've never felt more beautiful. Thank you for teaching me not to take life for granted. Also, for teaching me not to take life to seriously and to just live in the moment. Without humor, life is boring. Without love, life is hopeless. And without a friends like you, life is impossible. You taught me that. So here's my secret: I fell in love with you. Completely and incandescently in love. Please know that I want you to move on with life. I want to find a nice girl who will treat you the same way you treated me. I want you to be happy. Please, don't ever forget me. I love you.



-Riley

junho 02, 2012

Nada deveria ser assim tão complicado.
O facto de eu não conseguir gostar de mim, de não me achar minimamente bonita faz com que eu tenda a isolar-me de uma imensidão de oportunidades.
Há dias em que me apetece simplesmente morrer. Não é um clichê nem um exagero. Há dias em que eu realmente me sinto assim.
E depois há momentos como estes em que me questiono porque razão terá a minha vida de ser tão difícil. Talvez crescer sem pais, ser gozada na escola, ser excluída de tudo enquanto criança, chorar sozinha no quarto enquanto via fotos do pai e ser miseravelmente infeliz não fosse entretenimento suficiente. Não, pensou Deus, vamos incluir um outro ingrediente, a fim de gerar mais audiência aqui nos céus, concluiu perspicazmente. Depois de muito pensar, chegou à conclusão de que eu iria odiar cada poro de mim, e iria sentir-me inferior a tudo e a todos. Uau, génio.
Talvez, não sei, só por sugestão, pudesse deixar-me sentir-me bem um bocadinho? Só para variar, há que  ser audaz de vez em quando e arriscar. Pense nisso e depois diga-me alguma coisa. Não, o número continua ser o mesmo.
Engraçado perguntar isso, pensei que nem sequer tinha o meu contacto, visto que nunca se lembrou de mim. Coisas da vida...