março 14, 2011

Se ontem me dissesses que eu era a tal, era capaz de acreditar, sem qualquer dúvida
Talvez deixasse que me pagasses um gelado e iríamos conversar até ao sítio mais isolado da cidade
Tremeria por todos os poros e rezaria para não dizer nenhuma estupidez
Tentava sorrir e dizer alguma piada para mostrar-te que estava à vontade, que não estava quase a desmaiar
Deixava que me tirasses uma madeixa da cara, e que suavemente a colocasses por detrás da minha orelha
Veria os teus lábios mexerem-se em direcção aos meus sem me conseguir mover
E quando finalmente tocassem nos meus sentiria que podia morrer
Não neste instante
Amanha
Depois de aproveitar bem o que estava a sentir, o que me fazias sentir
Ontem, eu deixaria-te levar-me pela mão
Fingindo que os contos de fadas realmente existem
Na minha vida podem existir
Lembraria-me disto mais tarde quando deixasse de comer por me tirares completamente toda a vontade de viver
Recordaria-me do passeio, do beijo, do cabelo
Enquanto lentamente tudo em mim secava por dentro
Mas hoje, se me dissesses que eu era a tal, a única coisa que te diria era para o provares
Tu perguntarias "Como?"
E eu responderia-te " Se eu for de facto a tal, tu descobres uma forma"