maio 01, 2011

Na escola ensinam-me matemática
Coisa que eu odeio
Ensinam-me a somar, a multiplicar
A falar outras línguas
A saber teorias
A conhecer nomes
Verbos
Livros e títulos
Tudo isto é considerado essencial para o meu futuro
Todas as horas que desperdiço num mundo que não é meu são o que vão-me dar um emprego, dizem eles
Se eu não sobreviver até lá, isto terá sido um desperdício de tempo
Na escola, não me ensinam a amar
A perdoar ou a aceitar
A ultrapassar
A ignorar
A saber o que fazer em momentos complicados
A observar o que me rodeia e a tirar as conclusões que me permitem continuar a acreditar
Não me ensinam a sonhar
Não me ensinam a sentir
Ou, mais importante, deixar de o fazer
Eu tenho uma escola 24horas por dia
Não pago propinas
Não compro livros nem material escolar
Tenho muitos professores, mas eu mesma também lesiono
A escola onde eu realmente preciso de andar está sempre aberta
Não me expulsa das salas
Eu saio quando entendo, com a promessa de voltar
Tem um nome invulgar e sentido
É pequeno, mas transmite alegria e esperança
Ou tristeza, consoante o dia
A escola Chama-se Vida
Tem muitos alunos
Cruzo-me com poucos, mas os que cruzam-se comigo são os essenciais
O que tornam-se os meus professores e também subordinados
Nesta escola, completas o que falta e completam-te com o que te falta
É muito real, sim. Tem muito drama, sim.
Mas é o local onde fui educada, portanto, aprendia a aceitá-la.
Quem não o faz não aproveita o que ela dá
E porventura perde a essência de existir
Na minha humilde opinião, isto é mais importante para o meu futuro do que horários e disciplinas categoricamente escolhidas
Isto vai-me fazer, sobreviver claro, mais mais importante, saber viver