maio 22, 2011

Parte 5

Estava a chover torrencialmente quando abandonaram o recinto escolar
Enquanto corriam ela tremia cada vez mais
Não de frio
Ele agarrou-lhe a mão e fez-la seguir os seus passos
Corriam como se o mundo acabasse
Sinceramente, eles não se importavam se ele estava realmente a acabar
Desde que não acabasse ali, naquela hora, para eles
Bastaram apenas 2 minutos para estarem encharcados
Mas o facto de estarem em água não era minimamente importante
Nem as pessoas que os olhavam por mais de 4 segundos
Nem o facto dele morar a mais de 10 minutos importava
A mão dele estava estranhamente quente comparada com a sua
Ela estava simplesmente feliz e com medo
Nunca se tinha apaixonado
Nunca tinha beijado um rapaz antes
Nunca tinha sentido aquela dor agradável no estômago
Continuaram a correr e os sons da cidade foram desaparecendo à medida que se aproximavam do destino
Chegaram a casa dele com um sorriso nos lábios
Com pressa de subirem as escadas
Quando ele abriu a porta puxou-a com força para dentro e fechou rapidamente a porta
Encostou-a à porta e olhou-a nos olhos enquanto engolia em seco
- Estás bem?
- Cansada. Mas nunca estive melhor
Ele sorriu e trincou-lhe o lábio
Oh como ela odiava que ele conseguisse tão facilmente pô-la nervosa
- E estás com frio ou nem por isso?
- Tens alguma coisa para eu vestir?
- Não tinha isso em mente
Ela corou e piscou os olhos. Desviou os olhos nervosamente enquanto sentia a roupa dele colar-se à dela
Ele aproveitou aquele momento para gravar a face dela na sua memória
Os olhos profundamente azuis davam vida à expressão da sua face
O cabelo liso e molhado caia-lha pelos ombros e rebeldemente a cara
Os lábios estavam lindos
Definidos por pequenas gotas pediam por serem completamente sugados
E ele quase que lhes fazia a vontade
Quase
O perfume continuava lá
Sentia-a tremer e perguntou-se porque seria
Frio ou medo. Ou ambos
Queria tanto tê-la que se tinha esquecido que eram humanos
Agarrou-lhe a mão e guiou-a pelo corredor
- Estás gelada miúda. Esqueci-me completamente que és quebravél
Piscou-lhe o olho direito e viu o peito dela bombear mais profundamente do que é costume
Sorriu novamente por dentro. Ela era dele
Sabia-o e sentia que era exactamente isso que lhe passava pela cabeça
Chegaram ao fim do corredor e subiram as escadas de madeira
Pingas corriam-lhes de todos os lados mas nada aumentou o ritmo dos seus passos
Ambos estavam demasiados nervosos para acelararem
Chegaram a uma porta de carvalho e ele abriu-a
Ela entrou e ele encostou a porta
Lentamente, ela olhou à sua volta.
Já tinha imaginado o quarto dele inúmeras vezes
Estava arrumado o que é completamente estranho
A cama era de ferro azul
Uma estante fazia contraste com a porta e era o que despertava mais atenção
Tinha uma quantidade exuberante de livros, jogos e filmes
Um guarda vestidos semi aberto estava ao seu lado, em frente a um pequeno puf em forma de bola
Ele largou-lhe a mão e abriu totalmente o guarda fatos
Vasculhou durante alguns segundos até que tirou de lá uma camisola cinzenta, que lhe deveria ficar larga
Era o suficientemente grande para ela
-Queres tomar banho antes de te vestires?
- Não é preciso. Só quero mesmo vestir alguma coisa seca
- Ok então. Eu vou tomar banho. Tens toalhas dentro daquela gaveta. Eu já volto.
Ia a sair quando subitamente se voltou. Ela sorria enquanto percepcionava melhor o cenário que a envolvia.
Rodou os membros inferiores e isso fez-la mudar de posição
Passou de descontraída para assustada
Ele agarrou-a pela cintura e beijou-a.
Os olhos de ambos fecharam-se e por momentos não pensaram claramente em nada.
Ele soltou-a e beijou.lhe o pescoço antes de bater de vez a porta.
Ela respirou fundo e sorriu. Um meigo sorriso pintou-se na sua cara e atirou-se para cima da cama.
Pegou numa das almofadas e cheirou-a. Cheirava a ele.
Fechou os olhos e recordou o que já tinha acontecido nesse dia
Isto não é um sonho, pensou ela
Eu realmente sei de cor o cheiro dele
Levantou-se e pegou numa das toalhas que imaculosamente jaziam na gaveta
Cheirou-a também e sorriu. Estava mesmo a ser infantil. Mas gostava de o ser.
Tirou rapidamente a roupa molhada e envolveu-se na toalha.
Não tinha roupa interior
Torceu os lábios e pensou no que seria sensato fazer
Talvez pudesse usar algo dele
Mas ele era rapaz
Ele tinha uma figura feminina naquela casa
Secou rapidamente o corpo e vestiu a camisola
Não era tão comprida como pensava
Aventurou-se então pela casa procurando o quarto
A primeira porta que abriu era um escritório
A segunda um quarto vazio
Na terceira encontrou o que procurava
O quarto era quase totalmente branco. Paredes, mobília, cortinas. Apenas o adregão estragava a visão celestial. Era vermelho vivo, muito bonito.
Adorou imediatamente aquela quarto.
Não se sentiu muito à vontade por mexer em coisas que não eram suas.
Antes de abrir as gavetas divertiu-se a ver algumas fotografias
A maioria eram dele. No infantário, na escola. Na praia. No Carnaval.
Passou as mãos em cada uma delas, tentando sentir os momentos gravados
Revirou os olhos e curvou-se para as gavetas.
Demorou poucos segundos a encontrar o que lhe faltava.
Tirou educadamente algumas peças e colocou-as no chão.
Tirou a camisola e vestiu um conjunto azul que surpreendentemente era do seu tamanho
Estava a acabar de ajustar uma das alças quando ele entrou
Estacou assim que a viu e pela primeira vez corou
Mas não desviou o olhar. Fitou-a religiosamente e abriu a boca para falar mas não lhe saiu nada.
Ele estava ainda de toalha e o cabelo desleixadamente belo
Nunca lhe doera tanto o peito, pensou ela
Ele era absolutamente perfeito. Absolutamente...perfeito
Ela reagiu finalmente e pegou na camisola. Vestiu-a desajeitadamente o que o fez rir
Engoliu em seco e desculpou-se
- Ahn  desculpa ter mexido nas coisas da tua mãe...Só queria...tu sabes...sim.
Esperou que ele falasse mas ele continuava a fitá-la
Continuou a falar
- Tipo, eu sei que não devia ter vindo aqui, mas não queria usar roupa interior tua. Portanto achei que...queres parar de rir por favor?
Ele parecia divertido com a falta de jeito dela. Ela estava irritada.
Se ela soubesse o esforço que ele estava a fazer para não a agarrar.
Se ela sequer imaginasse a dor que os músculos dele gritavam naquele momento.
Ela estava a fazer outra vez aquele olhar. Aquele que o deixava maluco
Mas não falou. Apenas encostou-se à parede e continuou a olhá-la
Ela estava a começar a ficar nervosa.
Porque razão não dizia nada?
Estupidamente ficou com vontade chorar. Mordeu o lábio enquanto implorava aos olhos para não cederem
Por favor não me façam fazer figura de estúpida, por favor. Prometo que não vejo mais filmes românticos nos próximos anos. Mas por favor não me façam fazer figura de estúpida.
- Diz alguma coisa por favor.
Ele não tinha desviado um único momento as atenções dela. Das pernas semi nuas, do corpo coberto por uma simples camisola que rapidamente podia ser tirada. Do cabelo desgrenhado. Das mãos que não sabiam onde podiam ser colocadas.
Respirou fundo. Não a queria assustar, embora tudo aquilo fosse divertido. Sabia que tinha de a livrar da tortura que provavelmente lhe roía o interior. Queria...
- Anda comigo
Foi o que ela ouviu sair dos seus lábios. Ela limpou os olhos quando ele se virou em direcção à porta e segui-o.
Muito bem, pensava ela, ela estava calma. Muito calma. Coisas positivas. Pensa em coisas positivas. Não nele imbecil. Em outras coisas...no aquecimento global! Sim, aquecimento global...
Apetecia-lhe rir-se dela mesma. Estava quase a desmaiar e mesmo assim conseguia ser ridícula.
Entrou no quarto dele e ouviu a porta ser trancada. Ele tirou a chave e atirou-a para um canto.
Não parecia estar zangado. Viu o peito dele descer e subir muito rapidamente enquanto se dirigia para ela.
Ela foi recuando. Ele riu-se mais uma vez.
Ele achava-a completamente irresitivél. Não compreendia o que era tão atraente nela. Mas aquele ar de confusão misturado com medo era a coisa mais adorável que ele se lembrava de ter visto.
Os olhos dela lutavam para se manterem fortes mas ele sabia que bastava apenas um pequeno toque.
Um pequeno toque. Não mais.
Ele foi-se aproximando e ela fugia para algum lado. Não sabia bem, mas tinha a impressão que andava em círculos.
Ele não acelerava o passo mas mesmo assim estava cada vez mais perto dela
Ela pegou então numa almofada e agarrou-se a ela.
Ele deu uma gargalhada. Ela sorriu também.
- Vais-me bater com isso?
- Sim vou.
- É suposto ter medo?
- Eu diria que devias temer pela tua vida sim.
Ele acenou divertido com a cabeça. Continuou a aproximar-se e ela continuou a recuar.
Subitamente, ela atirou-lha e saltou para cima da cama. Tentava chegar ao outro lado mas ele agarrou-lhe uma perna e fez-la cair. Ela começou a rir e lutou contra o corpo dele que tentava cobrir o seu
- Não te atrevas a magoar-me parvo. Eu sei Kung Fu
Não sabia muito bem de onde lhe tinha saído aquilo, mas era deveras apelativo
- A sério? E aprendeste onde?
Ela sorriu e respondeu - No filme ótario.
- Logicamente claro. Tu matas-me
Começou a fazer-lhe cócegas na barriga e ela começou a gritar enquanto implorava para ele parar.
- Pára imediatamente!
- Se parar bates-me certo?
- Não, prometo que não te bato. Mas pára.
Estavam ambos cansados e respiravam com dificuldade. Ele parou e deitou-se ao seu lado.
Ela esperou que ele relaxasse para lhe dar um soco na barriga e fugir para o outro lado do quarto.
Queria brincar. Ele sabia brincar.
- Prometeste que não me ias bater sacana.
Ela sorriu e fez um ar inocente para responder
- Não foi intencional.
- Claro que não foi. Foi só um reflexo.
- Exacto. Acontece-me muitas vezes.
- A mim também acontecem coisas estranhas.
-Tipo o quê?
-Já que perguntaste.
Levantou-se subitamente e foi em direcção a ela. Ela tentou correr mas ele apanhou-a antes que ela se afastasse. Agarrou-a com força e pressionou-a contra o armário.
Beijou-lhe o pescoço antes de o mordiscar e de a ouvir gemer
O peito dela parecia prestes a arrebentar. Era bom sinal, pensou ele.
Sentiu-se extasiado e com dores
Baixou a cabeça e percorreu o resto do corpo com as mãos.
Experimentou um pedaço do corpo dela mas queria mais
Ela empurrou-o e ele estupidamente deixou
Sorriu-lhe e agarrou-lhe o abdómen
Trocaram de lugares e desta vez foi ela quem o empurrou
Ele olhava para ela, impaciente, expectante
Ela não sorria e parecia vacilante
Mas manteve-se forte e beijou-o intensamente. Mordeu-lhe o lábio e ouvi-o rir
Largou os seus lábios e desceu suavemente para o pescoço. A maça de Adão parecia vacilar.
Chupou o pescoço devagar, primeiro num ponto, depois noutro
Ele gemeu quando uns dentes trincaram-lhe novamente o lábio
Quando os fizeram sangrar
Nenhum deles se importou.
Ele obrigou-a a beijá-lo e pegou nela.
As pernas dela enrolaram-se à volta da sua cintura
Empurrou-a contra a porta e tirou-lhe a camisola
Doía-lhe tanto o peito que se recusou a recuar
Continuou a beijá-la e finalmente deitou-a na cama