Sempre que escuto o que o meu coração grita
Acabo despedaçada numa avenida qualquer
Sem mapa, sem água
Vaguei-o vagabunda num completo preto personificado em mundo
Tenho a maquilhagem borratada, as roupas amaçadas e o cabelo sem brilho
O som frágil da minha alma ecoa em cada paço que dou e cada paço torna-se mais complicado de ser feito à medida que me aproximo de onde vim
De onde morri subitamente e ainda mais estranhamente levantei-me
Não estranhem se andar sempre com o MP4 ligado ao meu cérebro
É ele que mantém os meus pulsos inteiros e o meu corpo sincronizado
Agradeço-lhe o facto de fisicamente ainda estar jovem
Mas continuando a caminhada,
As sombras das árvores são como paisagem característica do meu estilo renascentista
O que adequei a cada suspiro das minhas mãos
A cada doença da minha pele
A cada loucura dos meus músculos
A cada padecimento do meu coração
A cada esperança do meu cérebro
Enquanto ando, vou deixando um rasto de mim
Um sapato perto da pedra
Uma lágrima junto das folhas
Um pedaço no pó
E prometo que será o último
Prometo o mesmo nos pedaços seguintes
E se desistisse?
Se pedisse ajuda?
E se mergulhasse na água e não tentasse oferecer resistência?
Tudo melhoraria de certa forma
A dor psíquica deixaria de atormentar os meus sonhos
Conseguiria finalmente descansar
Mas parece que gosto de sofrer
Masoquismo deve ser o meu nome do meio
Cortem ao meio o vosso desejo de posse e sintam o vosso sangue coagular
É bom não é?
Devo ser a única que gosta de ser a boneca de pano nas mãos de uma criança de 5 anos
Estou longe, muito longe
Deixei de contar os dias que me afastei
Os dias que te amei
