junho 22, 2011
A rebeldia adolescente sente-se quando queremos tanto que arriscamos tudo para ter, nas pequenas mentiras da sexta feira à noite, nas expressões incrédulas quando nos acusam de ter saído em vez de estudado, no ar inocente que convence e move montanhas.
O entusiasmo repentino, o desejo de diversão e de viver, as madrugas sem dormir, o álcool, as discotecas, os jantares, as roupas demasiado justas e curtas, a maquilhagem exagerada, os sorrisos charmosos, a tentativa de tornar aquele momento memorável. Tudo isto faz parte do nosso momento jovem, da nossa música ao estilo de Holyywood, do nosso momento à Paris Hilton.
Sentir a adrenalina de sair, de quebrar regras, de saber que está errado mas mesmo assim saber tão bem, de conhecer pessoas novas, de beijar, de abraçar, de cantar, de gritar.
Eu sinto que vou ser assim para sempre. Jovem, sem preocupações, cheia de armações e à procura de algo novo para fazer.
Sinto que o tempo vai parar, que nada vai mudar. Que as mesmas pessoas vão continuar na minha vida, com as mesmas expressões, as mesmas perspectivas de vida.
Sinto que o mundo não vai acabar em 2012, que vou continuar a dormir em casa da Beatriz, a atacar a despensa da Marta e cozinhar em casa da Liliana.
Que vou continuar a assistir aos jogos da Joana e da Tamara. Que vamos continuar todas a ir para o Porto impulsivamente, discutir por coisas estupidas e acabar no facebook a dizer coisas despropositadas.
Sinto que vou continuar a gravar vídeos caseiros a meio da noite com a Rita, a ter conversas sobre tudo com a Daniela, a falar sobre Gossip Girl com a Sara. Sinto que a minha turma nunca se vai separar. Que ainda tenho muito tempo com o zé, tempo para o tentar decifrar e para o tentar amar.
Sinto que vou continuar a amar a vida, a querer descobri-la, a querer fazer amanha o que não me apetece fazer hoje.
Sinto que o meu grande amor ainda está por aí, esperando que eu o encontre.
Sinto que o amanha vai ser o hoje, e que nunca vai passar disso. Que vai ser uma continuação, uma parte dois, e que tudo vai ser sempre como é. Sempre.
Não quero que nada mude. A vida pode acrescentar algumas coisas, sim, mas tem tudo de ficar onde está. As pessoas não podem simplesmente ir embora e fazer uma vida longe de mim. Eu preciso das caras familiares na rua, dos olás nos corredores, dos sorrisos simpáticos.
De saber quem as pessoas são, de saber prontamente os defeitos e qualidades de cada um.
Não quero despedir-me deles e simplesmente dar as boas vindas a uma nova vida.
Preciso de todos. Todos têm algo único que me faz gostar e acreditar, e se isso for afastado de mim, é como se perdesse o significado do que sou.
Por exemplo, a Daniela é a voz da razão e da confiança que entoa na minha cabeça. A Beatriz a força de vontade para nunca desistir. A Rita a esperança. A Estela a união. A Marta o optimismo.
Tirem-me a Daniela, e vou perder-me. Tirem-me a Beatriz e vou desistir. Tirem-me a Rita e vou cair. Tirem-se a Estela e vou quebrar. Tirem-me a Marta e não vou acreditar.
Todos são pequenas peças que encaixam demasiado bem no meu puzzle. Se uma peça for retirada, ele fica incompleto Pode continuar a perceber-se a imagem, mas olha-se para lá e sabe-se que falta alguma coisa.
Eu amo cada peça. Amo muito. Dei alguns exemplos, mas existem muitas mais pessoas que são imprescindíveis na minha vida. E não posso menosprezar nenhuma delas, porque era o mesmo que menosprezar o que construímos juntos, os laços que esculpimos e os momentos que se tornaram épicos.
Menosprezar o que vocês são e quem são é o mesmo que menosprezar a minha felicidade.
Não digo que o tamanho das peças não é desigual. É. Há pessoas que significam mais e que magoam mais.
São as que estão mais nítidas na minha alma, e as que têm um lugar honroso no meu coração.
Se prometerem-me um futuro, eu prometo que largo o passado e transformo o meu presente..

