A minha alma é um buraco imenso de todo o tipo de sentimentos que possam existir
É a devastação de um coração que podia ser puro, mas escolheu ser ele mesmo
Não consigo olhá-la de frente sem que os meus olhos se encham de lágrimas e me invada um frio indignado
As lágrimas nunca vão passar disso
Podem ser o sinónimo de arrependimento, mas não vão transformar-se em palavras arrependidas.
A minha boca não se vai abrir. Eventualmente, os olhos secarão e tudo voltará ao princípio do que sempre é um fim.
Eu nunca escolhi ser assim. Nunca escolhi comprometer a minha felicidade e a dos outros por algo que não tem explicação, resolução, satisfação própria.
Não tenho fé. Não tenho nada senão calamidades compostas por vários escalões, desde os que estão submersos em mim, aos que se transformam em vento e invadem a vida dos que me rodeiam.
Amar deixou de ser algo demasiado superficial. Continua a o ser, mas já sem a chama feita de ar. Agora é apenas pó.
Eu tomei decisões que me levaram ao que sou hoje. Todos os pequenos caminhos que tracei, todas as mentiras, angustias que provoquei, medos que alimentei, labirintos que nunca acabei, são a minha casa agora. Mobília, empoeirada e que simplesmente ignoro.
E penso. E duvido. E tenho certezas, que se desvanecem mais rápido que um sentimento de satisfação
E arrepio-me. E canto músicas sem as entender.
Inutilidades. O conteúdo do meu coração é seco, duro e preto.
É magia de cariz malévolo, sem sentido de vida ou de religião.
"Monstro pálido e de tez suave, franzino e solene, deambula pela cidade como se de um anjo se tratasse
E em cada passo que dá, um rasto deixa para trás
Como a avisar
Como a chamar
Pobres inocentes que durante a madrugada
Acordam para a vida de um mundo que é morte
E seguem as pisadas de um anjo que é um monstro
Pobres criaturas, que sonham acordados, despertam para um pesadelo
Que antes de o ser já o era"
A minha alma não segue pisadas, antes seguisse
É uma solitária abandonada pela misericórdia e rejeitada pelo inferno
É livre de querer, incapaz de viver
