setembro 11, 2012

9/11

Há coisas que não têm explicação, porque por mais palavras que se façam, nada será suficiente para apagar a dor
Nada será suficiente para a explicar.
Nada tornará as coisas melhores, nada substituirá quem já não está cá.
Em momentos completamente inesperados tudo muda
Sobram imagens, pequenos momentos de felicidade capturados em dias talvez banais, talvez importantes.
E tudo de repente é importante. Aquelas pequenas coisas que são reduzidas a um grau de insignificância e esquecimento num dia normal, rapidamente se tornam no centro do universo.
E ouvem-se lágrimas a cair, palavras a serem sussurradas e corações a partirem-se lentamente.
Há coisas que simplesmente não podem ser explicadas.
O Holocausto não pode ser explicado
O 9/11 não pode ser explicado.
Não podem.
Hoje, num dia particularmente estranho para mim, pensei em escrever um post bastante comovente sobre os atentados que fazem hoje 11 anos.
Pensei em nomear algumas vítimas, alguns factos, números até.
Mas depois apercebi-me de que não vale a pena.
A dor continua cá, e acho que o mundo nunca estará preparado para a deixar ir embora.
Fazer um texto sobre o quão o 11 de Setembro foi horrível é desnecessário.
Eu sei que vocês se lembram.
Eu sei que todos vocês têm as vossas memórias desse dia bem guardadas.
Tinha 7 anos. Não tive aulas nesse dia, acho que a escola ainda não tinha começado na minha aldeia.
Estava a almoçar com os meus avós e padrinho na cozinha que agora não é mais utilizada para refeições.
Havia uma televisão pequena. Não me lembro da conversa entre os meus familiares porque estava no meu próprio mundo.
A televisão estava na SIC. Era um dia perfeitamente normal, a seguir ao almoço provavelmente ia colorir alguns livros ou fazer algumas frases no meu caderno preto.
Umas das poucas recordações que tenho da minha infância foi a reacção daquela mesa quando começou a dar uma reportagem em directo sobre os atentados no World Trade Center.
Tudo parou.
A minha avó começou a chorar. Foi apenas aí que me apercebi que aquilo era mesmo a sério.
Chorei também, e muito. Na minha inocência, pensei que as pessoas iam ficar bem.
Que mesmo as que saltavam iam ficar bem.
Mas alguma coisa dentro de mim disse-me que não, elas não iam ficar bem.
Que elas iam cair e nunca mais se iam levantar.
Os dias seguintes foram inundados com notícias sobre os atentados. Sei que assisti e li muita coisa, mas não me lembro exactamente o quê.
Sei que aquele dia mudou o mundo. Senti no ar a mudança, foi estranho.
Todos passaram a ser mais cautelosos, a serem mais contidos até
A minha avó provavelmente foi a que mais sofreu de todas as pessoas que estavam sentadas naquela mesa.
Tinha perdido o meu pai há pouco mais de 2 anos, e sei que ela sentiu a dor de todas as mães naquele dia.
E lamento muito. Por tudo. Por ser uma criança e não entender o verdadeiro impacto do que estava a acontecer.
Lamento por não ter prevenido tudo aquilo.
Lamento por ter prosseguido com a minha vida normalmente
Há coisas que não têm explicação. Todos os que não têm memórias daquele dia nunca irão conseguir compreender.
Podem ler quantos artigos quiserem, ver vídeos, documentários
Eles não vão conseguir compreender aquele momento.
A sensação que rapidamente se espalhou no ar nunca poderá ser transcrita para papel.
Eu lembro-me dela porque a senti.
E acho que irei senti-la para sempre. É uma daquelas coisas que ficam connosco
E eu penso...tantas famílias despedaçadas...tanta dor, tanta tristeza.
Tantas palavras que ficaram por dizer, momentos por viver, fotos por tirar.
Amores eternos que acabaram ali, em minutos.
E eu sei que era suposto eles serem para sempre
E dói. Não consigo dizer mais nada sobre este assunto, apenas que dói.
11 anos...onde foram parar estes anos todos, onde raio se enfiaram?

Lamento muito.