abril 22, 2011

Parte 2

Acho que amar é perigoso demais para seres tão frágeis
Acho que loucura e amor confundem-se na nossa idade, porque sentimos tudo intensamente e misturamos coisas completamente diferentes, mas que inesperadamente resultam bem juntas.
Eu escrevo sobre o que sei e sobre o que anseio saber
Não escrevo politicamente correcto porque o blog é meu e a vida é minha
Querem ler algo sentido, leiam o meu blog
Querem algo correcto, leiam o diário de notícias

Hoje ela vestiu um vestido preto
Quando ela entrou na sala, ele virou-se e durante longos e breves segundos mirou-a
Ele sentiu o coração bater mais depressa à medida que a viu sentar-se
A ela e ao seu vestido curto, largo, com botões perto do peito e o colarinho amarrotado
Não se lembrou do que estava a pensar antes, do que ia dizer ou do que queria fazer nessa noite
Ela percebeu que ele olhava e morreu nesse instante
Ele sentou-se
Ela continuou secretamente a sorrir
A aula terminou
Ele saiu
Ela ficou
Ele tinha fome
Ela também
Queriam ambos a mesma coisa
Em silêncio, eles descobriram
A metros de distância, eles sentiram
Na aula seguinte, ninguém falou
Ninguém olhou
Ela roía as unhas
Ele batia o pé
Ela brincava com a tampa da caneta
Ele riscava o caderno
Ela estava a dar em maluca
Ele só podia estar maluco
Ela sabia onde ficava a casa dele
Passava por lá todos os fim de semana
Descia a rua, virava à esquerda e contava quatro casas brancas
A quinta era a dele
Ele sabia onde ficava o quarto dela
No 2º andar, 2º janela
Cortinas cor de rosa
Pressianas  semi abertas
Sabiam pouco, queriam mais
Ela queria saber os seus filmes favoritos
Se gostava de pipocas salgadas ou doces
Se tinha Foo Fighters no MP4
Queria saber de cor cada perfume
Cada verso, cada sorriso
Ele queria conhecer a voz dela
Apaixonar-se pelo timbre das suas frases
Pelo cheiro do cabelo, pela forma como os seus ombros se unem aos dela
Passaram a vida inteira ligados por algo único
Por um sinal do peito
Por uma linha tatuada na palma da mão
Há quem lhe chame destino
Eu prefiro pensar que eles simplesmente ousaram
Nenhum deles acreditava no destino, assim como eu
Ambos não entendiam a razão de serem atraídos pelo desconhecido
De quererem sentir o sabor
Ela lia para tentar entender
Ele bebia
Ela devorava chocolates para deixar de pensar nele
Ele deitava-se para recordar o desenho do seu corpo
Nesse dia, os seus corpos roçaram na aula de Educação Física
Ela pediu desculpa
Ele balbuciou
Ela corou
Ele sorriu
Seduziu o tempo e parou-o durante um bocado
Calcou o coração dela e deixou-a sem ar
Ficou, Susteve
Literalmente, morreu

( TOmorrow. Acho que nunca mais vai ter um fim. exactamente como eu pretendia )