Reflecte
Respira
Fecha os olhos
Deita-te na calçada fria
Sente as pedras na tua espinha
O vento frio a sacudir o teu cabelo
Sente a noite
Sente o dia
Sorri para dentro de ti e relembra os milhões de sonhos que foram mortos
Apedrejados e esfolados
Odiados e fechados
Chora para fora e tapa os olhos fechados com as mãos
Não grites, não estará lá ninguém para te ouvir e salvar
Desespera noutra altura, mais tarde
Quando ninguém estiver a olhar
Quando ninguém estiver a julgar
Aguenta, mais uns minutos, mais umas horas, mais uns dias
Mais uns momentos no Inferno, Mais uns momentos na novela que não queres protagonizar
Novela com baixo índice de audiência
Sacode as impurezas da tua cabeça
Eu sei que elas estão coladas a ti, mas não pares
Continua a mover o teu corpo para o lado contrário do precipício
Eu preciso de ti
Preciso egoísticamente de ti
Mas se quiseres realmente saltar, dá-me a mão
Sempre quis experimentar saber como é
Sentir a dor, sentir o alívio
Ninguém faz a menor ideia do que é ter asas e não saber voar
De ter voz e de não se fazer ouvir

