Agora, a menos de um mês de tudo parar ( não acabar) vou tentar explicar a razão da existência de tanto amor por uma história que tanto podia ser ridícula como se tornou fenomenal
O primeiro livro ( a pedra filosofal) é incrivelmente bom e quando o li fiquei muito empolgada para encontrar o segundo. Em poucas semanas já tinha lido 3 livros e sonhava com as caras das personagens, os sotaques e as roupas. Descobri os filmes e amei. Tudo era soberbo e não me desiludiram nem um bocado.
O Ron sempre foi atrapalhado, um pouco tímido, e não dava valor a si mesmo. Mas em contrapartida era fiel e um amigo como há poucos.
A Hermione era um nariz empinado e uma sabichona irritante. Mas podia-se contar sempre com ela, em todos os momentos, maus ou bons.
O Harry era um solitário mas encontrou as pessoas certas para encher o seu mundo e o fazer salvá-lo.
Porque, imaginemos, se o Harry tivesse ficado amigo do Draco, provavelmente a história seria muito diferente.
Ou então não. Se apenas tivermos em conta o coração do Harry e como o amor consegue ser mais forte do que o mal, mais tarde ou mais cedo ele teria ouvido a voz que sempre o guiou e feito a escolha acertada. Mas eu prefiro ser da opinião que um bom coração faz apenas diferença quando temos as pessoas certas ao nosso lado.
Quando digo "certas", quero dizer pessoas que te amam por aquilo que és, apoiam-te quando ninguém o faz e te dizem as verdades quando ninguém se importa.
Ele foi crescendo, ao mesmo tempo que a complexidade do livro também aumentou, assim como o número de páginas.
Nunca, nem por um momento, consegui pousar o livro antes de o acabar.
Levava-o para a escola para continuar a ler, muitas vezes nas aulas de matemática.
Lembro-me de sempre que trazia um livro da saga para casa, a expressão da minha avó transmitia " outra vez Harry Potter". E sempre me senti feliz com isso.
Um mundo de magia, repleto de segredos e coisas que apenas os que amam conseguem entender, marcou toda a minha adolescência
O meu percurso foi intensamente marcado por palavras inventadas, nomes que não existem e feitiços inúteis.
Mas com certeza inutilidade não se pode adequar a um mundo que tantas vezes quis que fosse o meu e que me ajudou a crescer
O livro que mais me apaixonou foi o 5º, Harry Potter e a Ordem da Fénix.
Completamente viciante, com um filme que fez completamente jus ao livro. Chorei tanto quando o Sirius morreu.
Derramei quilos de lágrimas, domo se eu fosse o Harry. Ainda hoje quando vejo o filme choro.
Tenho saudades de quando o vi pela primeira vez. Muitas mesmo.
Enfim.
A nível de desenvolvimento e riqueza de história, acho que o último ( os talismãs da morte) foi o expoente máximo da história.
Eu não consegui acreditar na qualidade do livro, parecia de outro mundo, de uma outra galáxia, escrito por alguém sob-humano. Mas foi também quando eu finalmente fiquei triste. Era o último.
Não haveria uma continuação, mais aventuras, mais dragões para lutar, mais Snapes para surpreender, mais amores que finalmente ficam juntos. E chorei. Assim como choro hoje, porque falta muito pouco tempo para a espera acabar.
Para tudo com o que cresci estacar num ano, numa data que mais que feliz vais ser infeliz
Ao Harry Potter, por salvar os nossos corações
Ao Voldemort, porque o vilão também merece palmas, sobretudo por ser tão fantástico
Aos Weasley, por serem a familía mais divertida
Ao Dumbledore, por ser o herói que moldou outro herói
À Hermione, por ultrapassar os seus limites todos os dias
Ao Ron, por ser o melhor amigo que alguém pode ser
A Hogwarts, por ser a casa que todos querem ter
À JK Rowling, por iluminar uma geração
À magia, por conseguir gravar num pedaço dos nossos corações o momento em que a primeira a página foi decifrada
Eu vou querer voltar atrás, eu vou querer ter novamente 11 anos.
E por mais que seja impossível, nunca vou deixar de acreditar.
Afinal, o Ron, a Hermione e o Harry também cresceram.
E continuaram especiais
Enquanto eu respirar, eu vou sempre ama-los
